24 janeiro 2007

 

Vamos falar de projetos sociais

Olá a todos de novo,

Finalmente chegamos à parte das propostas. O trabalho de limpeza continua, está indo bem, mesmo com as chuvas atrapalhando bastante. Mas esse prédio que estamos limpando é apenas um projeto paralelo, um trabalho de mutirão, um aprendizado na prática de como lidar com situações de emergência e catástrofe. O projeto principal estamos começando a propor agora. A propor agora, porque desde o início ja estávamos trabalhando nele. As primeiras semanas foram de percepções, sensações, conhecer as pessoas, seus sonhos, problemas e soluções. Conhecer o bairro, os recursos, as forças. Foi muito bom aprender como é importante que essa parte de um projeto social seja feita com calma, sem análises precipitadas e sem já ir pensando num projeto, numa solução logo no primeiro contato com o problema.

Mas agora que já temos tudo isso, estamos pensando nas propostas, nos projetos em si e em como apresentá-los à comunidade. Pois a prova de fogo é o projeto ser aceito pela comunidade.

Há algumas boas idéias já sendo melhor elaboradas, atingindo diferentes aspectos da região. No final da semana já temos que ter os projetos finalizados e apresentar à comunidade.

Construção conjunta

Os próximos dias serão bem intensos. Formalização das idéias e análises anteriores, escolha das melhores idéias, desenvolver e criar um projeto em cima disso tudo. Na verdade vários projetos. Temos que abordar ao menos três aspectos diferentes: como as pessoas moram, como as pessoas se relacionam e como as pessoas obtem seus recursos sustentavelmente. E dentro disso temos que contemplar um projeto de curto prazo, um de médio prazo e um de longo prazo. Ou seja, no minimo 9 propostas. Tudo isso em 3 dias, em um grupo de mais de 50 pessoas falando diferentes linguas e com diferentes ideias se auto-gerenciando.

E agora estamos chegando na parte mais importante a construção conjunta com a comunidade. Apresentaremos essas propostas à comunidade e ela pode apoiar ou não. Aprovar, vetar, fazer sugestões, cortar algumas coisas do projeto, etc.

Depois disso ainda procuraremos o apoio de mais pessoas também de fora da comunidade que estamos trabalhando, ou seja, Santos inteiro. Faremos isso através de um jogo que também fará com que eles contribuam com o trabalho que farão num novo e maior mutirão para colocar em pratico os projetos de curto prazo, que são de 5 dias.

Resumindo, depois desse tempo todo procurando a melhor forma de fazer com que as contribuições do nosso grupo sejam as melhores possiveis, passaremos a buscar as contribuições de todas as outras pessoas que pudermos tocar. Tocar, comover, sensibilizar, esclarecer, explicar, sugerir e convencer.

É a hora de ficar real e ficar grande

É a hora de mostrar para as pessoas como é fácil e simples fazer um mundo melhor.

"Fácil e simples"?!?!?!

Sim, garanto que muito mais fácil e simples do que o esforço que fazemos para manter o mundo como está.

Beijos e sorrisos,


13 janeiro 2007

 

Uma semana de trabalho...

Ola de novo, pessoas!


No Sábado acabou a semana da Terra.


Começamos a semana da Agua e depois seguiremos os elementos. Tem atividades bem interessantes relacionadas a essa forma de dividir o trabalho.
No começo da semana fizemos um rito que chamaram de Jogo da Terra, com Kaká Werá, um chefe indígena. Alias, foi uma semana interessante sob esse aspecto indígena. Além dos exercicios, ritos e conversas com Kaka, conheci melhor os participantes do curso que sao indios. Dois do Rio Grande do Sul, que fazem faculdade, que nasceram na aldeia e falam normalmente o portugues (gauches no caso) e tambem o idioma de sua tribo, os Kayagang. Eles me mostraram bastante sobre como é um indio real atualmente e nao o estereotipo. E tem outro do Acre. Ele esta se preparando para ser Paje, atualmente mora em Sao Paulo pois trabalha num trabalho de liderança de jovens. Mas ele tem as raizes bem fortes e cantas musicas muito bonitas. Surpreendentemente bonitas e melodicas, por serem musicas de propositos espirituais.

Trabalho
E essa semana tambem o trabalho comecou a render. O trabalho de limpeza que mencionei no post passado. Conseguimos pás, carrinhos, improvisamos umas macas e fizemos um esqueminha com sacos de lixos que esta funcionando bem. Amanhã vamos na empresa de limpeza da cidade, tentar uma parceria e estou esperançoso. Acho que o resultado final vai ser bem melhor do que me pareceu no começo.
A comunidade esta começando a se envolver também. Não só os moradores de rua que vivem em frente ao predio, mas tambem estamos nos integrando melhor com a comunidade como um todo. E "como um todo" inclui moradores antigos, comerciantes, outros moradores de rua, grupo de jovens crianças, prostitutas, mães solteiras, os moradores dos cortiços, traficantes. Os jovens em particular querem transformar o predio num centro cultural. É algo bastante ousado e acho que é essencial que nós limpemos tudo até o fim do nosso tempo aqui. No ritmo atual não conseguiríamos, mas essa parceria e outras idéias podem fazer dar certo.

Aprendizado
Mas essa é a parte do trabalho que já conheço do que é um trabalho social. Como fazer, o que fazer, quem chamar, como conseguir recursos, apoio, parcerias. Nao que eu seja um expert nisso tudo, mas é o tipo de coisa que desenvolveria naturalmente em qualquer trabalho social. O que faz daqui especial é o convivio, o conhecimento e o entendimento das varias culturas e modos de pensar.
O que para mim seria só trabalho, aqui está se tornando desenvolvimento espiritual, cultural, mental. E é impressionante ver como o sentimento por trás das ações das pessoas transforma o mundo. E aqui falo de produtividade, coerência, sinceridade, sustentabilidade e resultado.


E para fechar, quero registrar aqui uma fala minha em um momento muito especial que tivemos aqui, onde reconheciamos nosso progresso em algumas das qualidades da Terra. No meu caso, doação de vida, auto-confiança e reconhecer os proprios limites:

"Uma conta vai para a doação de vida. Uma decisão que meu coração já havia pedido à minha cabeça e que esta aceitou cegamente sem saber bem o porque, mas confiante que um dia entenderia. E agora é o momento em que minha cabeça esta finalmente entendendo a decisão do meu coração.
Outra conta vai para a minha auto-confianca, que, paradoxalmente, vem dos outros. Eu tenho esse costume de procurar nos outros todas as qualidades que faltam em mim. Assim sempre tenho minha forca, com as pessoas que estao comigo naquele momento. E minha auto-confianca é simplesmente a certeza de que vou encontrar pelo meu caminho, seja ele qual for, pessoas com uma forca tao grande quanto insuspeita.
Agora não pego a terceira conta, por ainda não saber reconhecer meus limites. Assim como pego a forca dos outros, me acostumei também a usar seus limites. Escolho os limites que vejo em cada um e os uso para mim. Os meus limites sei que vou achar me machucando. Por isso peço que me deixem me machucar, nao se preocupem. Conheco tao pouco meus limites porque me machuquei pouco nessa vida. E enquanto isso vou levando meus limites para longe, deixem eles chegarem ate onde eles podem chegar e nao se preocupem como vai doer quando passar deles, porque é justamente o que vai me fazer enxerga-los"


Beijos e sorrisos,

Soneca

P.S.: Todo Sabado, as 9hs da manha, passará uma materia sobre a Escola de Guerreiros sem Armas, na Record, dentro do programa Ressoar. Ja teve uma primeira parte e teremos uma a cada sabado. Ate um programa especial no final do nosso curso. Sabado, as 9hs, na Record.

06 janeiro 2007

 

Direto da Universidade Aberta de Verão...

Oi povo,

Sim, aqui tem um centro de internet e estou perdendo o meu tempo de sono para estar aqui. E considerando que eles só nos dão 7 horas de sono por noite, isso é muita coisa.
Bom, descobri que me enganei. Isso aqui não é um aprendizado em empreendedorismo social, é um spa. Prestem atenção nos itens do menu das refeições que tive até hoje aqui e me imaginem tendo que me servir: arroz integral, tofu, uma pasta marrom, uma pasta verde, iogurte natural, umas sementes pra jogar nele, suco de guarana sem açucar, café com açucar mascavo, vários e vários tipos de salada, chá, pão integral caseiro e outras coisas que nem consigo definir.
Bom, né? Acho que o ideal de empreendedor social deles é que fiquemos todo com o físico de Gandhi.
Mas por sorte o almoço é por nossa conta na cidade então consigo comer pastel, coca e essas coisas com sabor.
Agora voltando do choque, vamos lembrar como foram os dias.

Chegada
Cheguei aqui e já tinha um monte de gente trabalhando, montando uma horta organica e construindo decks de bambu (uns palquinhos para a gente ficar deitado com almofadas). Então antes de perceber que era um spa, achava que era um campo de trabalhos forçados, menos mal.
Ah! O lugar é um Centro de Formação de Apostolados de nome Dom Picão. E não se dêem ao trabalho porque já pensei em todas as piadinhas que vocês podem fazer com esse nome.
Depois comecei a conhecer as pessoas e aqui tem pessoas de:
São Paulo, Natal, Santos, RS, Kaygang (tribos indigenas do RS), EUA, Espanha, Paraguai, Uruguai, Peru, Vietnam, Suécia, Guine-Bissau, Mexico, Canada, Africa do Sul (inclusive um Zulu) e outros que esqueci. Ainda deve chegar gente do Pasquitao e Quenia e um índio nativo da Amazonia.
Enfim, os trabalhos iniciais eram mais para preparar o lugar onde a gente vai morar. Nós mesmos vamos construir nossos "luxos" aqui, mas de resto as cacomodações são muito boas, quartos bons, com banheiros bons, espaçoso.


Segundo dia: Turismo
Hoje fizemos aquele tour basico por Santos, com a companhia de um guia, um professor de historia e um professor de urbanismo e desenvolvimento. Conhecemos os predios historicos, o monte mais alto e o porto, de escuna esse último, tipo férias com um guia politizado.
Aí depois fomos para a parte que interessa: conhecer um dos lugares onde trabalharemos, mas que não será nosso projeto principal. Uma construçãoi grande, ampla, abandonada, suja e escura. Alguns moradores de rua vivem na entrada e nos fundos é usado mais comumente para pessoas se drogarem, injetando, fumando crack e etc. Já houve várias mortes lá, desde overdose até brigas por pedras de crack e também outros abusos que por bom senso não é bom sair comentando por aí. Apesar das mortes, até lá existe um certo código de conduta e não há nenhum tipo de abuso sexual naquele lugar.
O lugara para vocês imaginarem, é um galpão escuro, paredes caindo, todo queirmado chão forrado de entulhos, lixo, seringas, coco e todo tipo de restos. Não tinha levado a bota, estava de havaianas. Digamos que ir pro sitio do meu avô quando criança e andar descalço no curral foi um preparo para esse passeio.

Agora, aqueles que leram até aqui, esqueçam todas essas partes sensacionalistas e as piadinhas espalhadas pelo texto apenas tornar a leitura mais agradável com esse humor masoquista.
A experiência aqui é das melhores que já tive e recomendo a todos desde já! E olha que faltam 28 dias. A convivencia, o trabalho, o clima e a vontade de mudar o mundo de maneira eficiente nos faz lembrar que dormimos pouco, comemos "mal" (pro meu gosto) e sofremos apenas no momento de contar a história pros amigos e fazer piadinhas sobre isso.
É isso, os percalços são apenas assunto de piada e as coisas boas são experiências de vida.

Aqui a gente descobre que o mundo em que achamos que podemos mudar o mundo não é tão pequeno quanto vocês podem pensar.

Beijos e sorrisos,
Soneca
P.S.: Não será tão frequente assim minha atualização, não por falta de assunto, mas por falta de tempo no computador. Em uma semana escrevo-lhes novamente. Amanhã é um dia de palestras e segunda começamos o batente, então vou ter muito mais coisas a lhes contar.

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