26 março 2007

 

Jornada

Olá, pessoas
Essa semana passou tranquila. Pouco trabalho, minha chefe, a diretora do CEPRODIH, andava ocupada com outras coisas, principalmente a Jornada de CEPRODIH.
Este Sábado tivemos a tal Jornada. Foi um encontro num sitio a 2 horas de Montevideo para juntar todos os que trabalham nos diferentes projetos de CEPRODIH, avaliar 2006 e planejar e expor as novas diretrizes para 2007.

O CEPRODIH é uma ONG dividida em diferentes projetos. Um cuida de maes solteiras e seus filhos que necessitam de um apoio para mudar de vida. Outro de maes que estao em situaçao mais critica, com filhos desnutridos e tal. Outro que cuida de homens e mulheres idosos, sendo que sao projeto diferentes, com populaçoes diferentes, o projeto que recebe os velhinhos de dia e o que recebe de noite, apesar de serem na mesma casa (que é onde moro). Além dos projetos que chamam de áreas transversais, que trabalham com as pessoas dos projetos assistenciais e que realmente fazem a diferença do CEPRODIH, que sao: micro-empreendimento, PROMOVER que é um centro de capacitaçao e profissionalizaçao, sala de informática e creche.
Bom, até o ano passado, a missao da ONG, em especial no que se refere às maes atendidas, era pessoas que vivem na rua. Agora mudou, é para pessoas vítimas de violência. Isso vem de uma decisao politica. Pois aqui no Uruguay quase todas as ONGs sao financiadas pelo governo. Como lado bom, é uma boa terceirizaçao de partes do serviço social, assim a qualidade dos serviços aumenta. Mas como lado ruim, há sempre a dependencia do estado, de suas politicas publicas que sempre mudam quando muda o governo ou mesmo um diretor de área. E foi isso que aconteceu. Agora o Uruguay tem um governo de esquerda pela primeira vez na história. E com isso criou-se um Ministerio do Desenvolvimento Social. E esse Ministerio decidiu padronizar todas as organizaçoes que atendem pessoas que vivem na rua. E esse padrao de trabalho é pior do que o que utiliza o CEPRODIH. Mas se o CEPRODIH nao se adaptar à essas exigencias absurdas, que restrigem o trabalho e a qualidade de serviço e vao contra a filosofia de trabalho do CEPRODIH, o governo corta a verba. Assim, decidiu-se mudar o foco de trabalho para mulheres vítimas de violência, já que há uma grande coincidência entre as duas populaçoes: de rua e vitimas de violencia. Na pratica, a principio vai se mudar bem pouco as pessoas atendidas e a forma de trabalho só vai melhorar, pois agora haverá uma equipe especializada em cuidar de mulheres vitimas de violencia domestica. É a forma de CEPRODIH se adaptar às ordens de pessoas que nao sabem muito bem o que fazem.
E a Jornada de Sábado foi sobre essa clarificaçao do trabalho de 2007. Parece que vai ser um ano chave para CEPRODIH e há muitos riscos, mas também muitas oportunidades de melhoria. Até porque a própria estrutura administrativa vai ser melhorada. E foi também divertida, é bom passar um tempo com pessoas boas, competentes e comprometidas em fazer bem seu trabalho. Ainda mais considerando que é um trabalho tao bom.
De resto, aproveitei que ia estar fora por um dia e passei um anti-pulgas no meu quarto, porque nem tudo sao flores quando se mora com velhinhos de rua. haha Os fins-de-semana agora sao de limpar o quarto, lavar roupa, lavar roupa de cama, mas nao passar. hahaha Camiseta amassada agora é estilo pra mim. Deixa os uruguaios pensarem que no Brasil se usa roupa assim, digo que está na moda.
Beijos e sorrisos,
Soneca

22 março 2007

 

Estrelas

Olá, pessoas!
Alguns devem lembrar que dizia que minha próxima viagem de férias seria para algum lugar onde pudesse ver estrelas. Bonito, Chapada, Caraíva...
Bom, todo dia quando chego à noite e subo a escadinha que dá no teto do refugio, onde moro, vejo o céu. Nao há nenhuma iluminaçao artificial e com a pouca poluiçao de Montevideo sempre consigo ver muitas e muitas estrelas.
Na verdade esse post é pra avisar que o próximo post de verdade vai vir só Segunda e nao mais Sexta como todos os outros. Até lá.
Beijos e sorrisos,
Soneca

16 março 2007

 

Diarréia e Inspiração

Oi, pessoas,
Bom, foi uma semana sem maiores novidades. No trabalho estou um momento de provar para a chefe que minhas idéias são boas e de resto peguei uma infecção intestinal que me deixou de cama.
Aliás, a única coisa pior que ficar doente longe de casa e dos cuidados da mãe, é ter diarréia e vômitos num banheiro sem água! haha Tinha que usar o banheiro e depois fazer 4 viagens com dois jarrinhos de água da cozinha até o banheiro, para encher a descarga. Se uma vez já é chato, imagine a noite toda! Bom, na verdade depois achei um balde maior que me economizaram muitas viagens, mas mesmo assim. Fora o fato do banheiro estar a uns 20 metros do quarto, com uma escada no meio, sendo que metade do caminho é no teto, descoberto. E estava chovendo. Bom, para mudar a sorte, no dia seguinte a doutora do refúgio estava lá e me receitou um remedinho e agora já estou bem melhor. O unico problema é que acho que vou ter que ficar uns dias sem comer alfajor. :(

Estas semanas estou lendo bastante. Terminei de ler "O Banqueiro dos Pobres", que conta a história de Muhammad Yunus e o Grameen Bank (se você não conhece nem ele, nem o banco, vai pesquisar. Eu proibo qualquer um de ler este blog sem conhecê-los). Comecei a ler um coletânea dos melhores contos clássicos russos e o livro "Como mudar o mundo", que retrata a história da Ashoka (idem para o que disse sobre Yunus e o Grameen, não passe dessa parte sem saber o que é) e conta a história de alguns Empreendedores Sociais no mundo todo. São livros, histórias, exemplos, que vão moldando o que eu quero fazer e como eu quero fazer nesse mundo.
Cada vez mais tenho idéias, planos, visoes, desejos e espranças. Não vou dizer todas ainda para não parecer muito pretensioso. Mas já posso dizer que minhas idéias parecem até para mim megalomaníacas e pretensiosas e às vezes me pergunto o quanto desses desejos não se revelam por vaidade. Acho que esse tempo sozinho é bom para isso. Descobrir onde me levam as razoes importantes e onde me levam as razoes frívolas para agir.
Hoje a noite vou ver Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare, no Teatro Solis, o mais chique daqui, (ontem não consegui ver Hamlet por causa da infecção) e amanhã vou ver A Tempestade, também de Shakespeare. Com o teatro e a literatura, vejo a beleza da criatividade na ficção, o admirável olhar dos grandes artistas sobre a realidade por todos os tempos. Com a história da Ashoka e do Grameen, vejo a beleza da criatividade na vida real, o admirável olhar dos grandes empreendedores sobre todas as realidades do tempo presente. Assim tento chegar ao futuro. Inspirado pela beleza humana.

Beijos e sorrisos,

Soneca


09 março 2007

 

Criando uma rotina

Oi, pessoas,
Finalmente tenho um quarto definitivo. Agora moro no teto de uma casa que funciona como albergue de idosos. É da propria ONG e está aberto 24 horas por dia porque é um refugio noturno também. Existe um quarto no teto, eu nao moro no telhado. É um quarto grande, bem ajeitado, com privacidade e antes de dormir fico conversando com os assistentes sociais do lugar e com os velhinhos que sao bem legais. Eu já construí um cabideiro e forrei as prateleiras do armario com papel colorido. O chao é pintado de rosa e as paredes de verde. Ja arrumei todas as minhas coisas nele e está bem aconchegante agora.

No trabalho eu alterno entre 1) fazer traduçoes, trabalhar com cartas e propostas a fundos internacionais aqui (que é a forma como eles captam recursos aqui; assim e com o governo, principalmente) e 2) desenvolver uma estratégia de captaçao com o capital privado que é como funciona no Brasil. Quero fazer tanto uma campanha para conseguir doadores pessoa física, como começar a fazer parcerias com empresas. Mas o bom espanhol está me fazendo falta na hora elaborar as propostas para empresas.

Minha vida social por enquanto é só vida cultural. Fui ao teatro ver, primeiro o ensaio, depois o espetaculo dos Palhaços sem Fronteiras franceses. Terça que vem vou ver um show do Nenhum de Nós! Sim, é de graça, claro. Parece que tem uma iniciativa cultural aqui chamada Expresso Porto Alegre, que trazem a cultura gaucha pra cá. Assim vou ver, também de graça, três peças de teatro, todas de Shakespeare, encenadas em português por um grupo gaúcho. Hoje vou de novo ao tablado, ver as murgas, o carnaval uruguaio e talvez vá beber em algum lugar com o povo da AIESEC daqui.

De interessante? Hmmm... a cidade como um todo é bem tranquila, mas o lugar onde trabalho é meio perigoso. Sempre tem policia por aqui e tem um monte de trombadinha. Um deles tentou me roubar, se é que podemos dizer isso, só no blefe. Veio me pedir dinheiro, depois começou a dizer um monte de coisa em espanhol que devia ser algo supostamente amedrontador pelo tom dele, mas só para ver se eu entrava em panico e dava tudo pra ele. Eu fui conversando e andando, até que ele desistiu e foi embora. Outro dia eu fiquei conversando mais de uma hora com outro moleque de rua, o Alexis, esse usava outra tática. Ele diz que nao adianta roubar, porque você vende o celular, gasta o dinheiro e já era. É melhor ser bonzinho e ter amigos que te ajudam (dao esmola) sempre. Pelo visto ele faz isso com varias pessoas, especialmente estrangeiros, que vivem ali pelo centro. Tem um monte de cartas na manga para mostrar o quanto tem a vida sofrida (e tem mesmo) para sensibilizar e conseguir doadores regulares. Bom, basicamente ele faz a mesma coisa que eu pra ONG. hahaha Nao se pode negar que seja um empreendedor. Falei com ele sobre oportunidades de mudar de vida, mas ele parecia mais preocupado em me sensibilizar e conseguir outro doador regular. Nao se empolgou muito com minhas ofertas de roupa e conselhos de procurar uma organizaçao de apoio e etc.

Bom, é isso. Agora tá acabando a fase das novidades, estou começando a ter rotina e espero que tudo seja mais produtivo.

Beijos e sorrisos,

Soneca


02 março 2007

 

Uma semana de trabalho!

¡Hola a todos!
Sexta-feira, fim da minha primeira semana de trabalho, inicio do meu primeiro fds de balada! haha Bom, quanto às baladas nao sei ainda, mas o trabalho foi bom.
Meu trabalho fica na Ciudad Vieja, é uma regiao antiga, um pouco degradada, perto do porto e cheia de bancos e homem de terno. Lembra um pouco o centro de Sao Paulo, a nao ser pela quantidade de gente que, claro, é BEM menor.
O prédio onde trabalho tambem é bem antigo, tem 5 andares, eu trabalho no quinto. Tem elevador, daqueles de porta manual, barulhento e que nao tem luz; um cenario de filme de terror perfeito. Aqui funciona como albergue para mulheres de rua e seus filhos e também o projeto de capacitaçao e cursos profissionalizantes da ONG.

Desde segunda, além de trabalhar, também estou morando com a minha chefe. Adriana Abraham, diretora, fundadora, fellow da Ashoka e minha mentora aqui. É numa vila de casas muito legal e tranquila, mas nao muito perto. Estou dormindo no que é a sala de TV e é muito bom. Mas a partir da semana que vem já mudo pro meu quarto definitivo que fica em outra casa da ONG, o que tem o projeto que acolhe homens idosos. É mais perto e num lugar prático da cidade e vai ser bom finalmente ter um lugar fixo e poder desfazer direito minhas malas e me assentar. E também nao me importa muito detalhes como o fato da casa estar a 3 dias sem água! haha

Meu trabalho é de captaçao de fundos e marketing, no computador, de escritório mesmo. O único detalhe é que na mesa do lado nao tem outro computador, mas sim uma mesa de costura, onde algumas mulheres fazem uniforme para vender.
O horário é totalmente flexivel. Chego e vou embora quando quero, tenho a chave e tudo depende da minha responsabilidade. Trabalho com propostas para fundos internacionais de desenvolvimento e estou com algumas idéias de parceria com empresas e relacionamento com doadores que quero implementar. Também ajudo minha chefe nas coisinhas que ela precisa, em geral traduçoes de documentos de inglês para espanhol e vice-versa. Assim meu espanhol vai melhorando na marra.
Como o horário, minhas obrigaçoes também sao bem flexiveis. O que na verdade nao é tao bom assim, pois também nao sao muito claras. Por exemplo nao consegui entender como funciona todos os projetos daqui e nao há uma maneira formal de eu aprender isso. Vou ter que fazer o meu trabalho e com o tempo ir conhecendo o dos outros para poder ter uma visao geral da ONG.

Está tudo ótimo, o trabalho tem muitos desafios e acho que vou conseguir trazer bons resultados para cá. Com o tempo os pequenos detalhes vao se acertando e a temperatura vai caindo.
Beijos e sorrisos,
Soneca

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