09 março 2007

 

Criando uma rotina

Oi, pessoas,
Finalmente tenho um quarto definitivo. Agora moro no teto de uma casa que funciona como albergue de idosos. É da propria ONG e está aberto 24 horas por dia porque é um refugio noturno também. Existe um quarto no teto, eu nao moro no telhado. É um quarto grande, bem ajeitado, com privacidade e antes de dormir fico conversando com os assistentes sociais do lugar e com os velhinhos que sao bem legais. Eu já construí um cabideiro e forrei as prateleiras do armario com papel colorido. O chao é pintado de rosa e as paredes de verde. Ja arrumei todas as minhas coisas nele e está bem aconchegante agora.

No trabalho eu alterno entre 1) fazer traduçoes, trabalhar com cartas e propostas a fundos internacionais aqui (que é a forma como eles captam recursos aqui; assim e com o governo, principalmente) e 2) desenvolver uma estratégia de captaçao com o capital privado que é como funciona no Brasil. Quero fazer tanto uma campanha para conseguir doadores pessoa física, como começar a fazer parcerias com empresas. Mas o bom espanhol está me fazendo falta na hora elaborar as propostas para empresas.

Minha vida social por enquanto é só vida cultural. Fui ao teatro ver, primeiro o ensaio, depois o espetaculo dos Palhaços sem Fronteiras franceses. Terça que vem vou ver um show do Nenhum de Nós! Sim, é de graça, claro. Parece que tem uma iniciativa cultural aqui chamada Expresso Porto Alegre, que trazem a cultura gaucha pra cá. Assim vou ver, também de graça, três peças de teatro, todas de Shakespeare, encenadas em português por um grupo gaúcho. Hoje vou de novo ao tablado, ver as murgas, o carnaval uruguaio e talvez vá beber em algum lugar com o povo da AIESEC daqui.

De interessante? Hmmm... a cidade como um todo é bem tranquila, mas o lugar onde trabalho é meio perigoso. Sempre tem policia por aqui e tem um monte de trombadinha. Um deles tentou me roubar, se é que podemos dizer isso, só no blefe. Veio me pedir dinheiro, depois começou a dizer um monte de coisa em espanhol que devia ser algo supostamente amedrontador pelo tom dele, mas só para ver se eu entrava em panico e dava tudo pra ele. Eu fui conversando e andando, até que ele desistiu e foi embora. Outro dia eu fiquei conversando mais de uma hora com outro moleque de rua, o Alexis, esse usava outra tática. Ele diz que nao adianta roubar, porque você vende o celular, gasta o dinheiro e já era. É melhor ser bonzinho e ter amigos que te ajudam (dao esmola) sempre. Pelo visto ele faz isso com varias pessoas, especialmente estrangeiros, que vivem ali pelo centro. Tem um monte de cartas na manga para mostrar o quanto tem a vida sofrida (e tem mesmo) para sensibilizar e conseguir doadores regulares. Bom, basicamente ele faz a mesma coisa que eu pra ONG. hahaha Nao se pode negar que seja um empreendedor. Falei com ele sobre oportunidades de mudar de vida, mas ele parecia mais preocupado em me sensibilizar e conseguir outro doador regular. Nao se empolgou muito com minhas ofertas de roupa e conselhos de procurar uma organizaçao de apoio e etc.

Bom, é isso. Agora tá acabando a fase das novidades, estou começando a ter rotina e espero que tudo seja mais produtivo.

Beijos e sorrisos,

Soneca


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