Oi, povo,
Hoje o post é simples: algumas das minhas observaçoes bem particulares. Sao pensamentos que passaram pela minha cabeça durante esse tempo aqui no Uruguay. Divirtam-se:
1ª Devido às minhas restriçoes alimentares eu como todo dia umas bolachinhas de arroz, como torradinhas, que nao tem no Brasil e aqui se chamam Galletas de Arroz. Eu gosto muito de uma Mini-Galleta de arroz. É uma torradinha redonda e descobri que ela tem o tamanho exato do meu céu-da-boca. É que frequentemente quando como (ponho ela inteira na boca), ela fica presa entre os dentes superiores, inteira, sem quebrar. E tenho que usar o dedo para tirar.
Se um dia precisar proteger meu céu da boca de algo, como um veneno, ou mesmo guardar algo escondido na boca posso usar isso. Por exemplo, sabe quando acabou de colocar um chiclete na boca e te oferecem alguma coisa gostosa pra comer? Entao fica aquela duvida entre desperdiçar o chiclete ou dispensar a comida. Eu poderia colocar o chiclete em cima de uma mini-galleta, encaixar ela no céu da boca, comer o que me oferecerem e depois tiro a galleta e continuo a mascar o chiclete.
2ª Os homens aqui no Uruguay nao têm o habito de olhar para trás quando cruzam com uma mulher qualquer na rua. Como todo homem sabe e as mulheres desconfiam, os homens brasileiros têm essa mania quase imperceptível e inconsciente de olhar para trás quando cruzam com uma mulher, qualquer mulher, na rua. Sim, TODOS os homens fazem isso. E sim, é para olhar a bunda da mulher. E Sim, mesmo eu, que sou tao legal e sensível faço isso. Uma verdade inconveniete: até o Chico Buarque faz. Claro que quando se está preocupado com alguma coisa ou pensando em alguém nao se faz, mas se está caminhando pela rua despreocupadamente, é inevitável. É uma mania, é automático, faz-se sem perceber. E é para qualquer mulher, nao apenas as que interessam. Se é bonita, vira-se para checar se é bonita "indo" também, se é feia, vira-se para ver se "pelo menos" é Raimunda, mas em geral vira-se sem pensar e sem saber que o fez. É como o sonambulismo. É um arco-reflexo no homem brasileiro.
Isto explicado, repito minha observaçao: os homens uruguayos nao têm esse reflexo. Claro, quando alguma mulher deslumbrante passa, eles olham, mas nao com a mesma intençao e automaticidade do brasileiro. Por que? Nao, eles nao sao mais cavalheiros e sofisticados, é que as mulheres uruguayas nao têm bunda. Nenhuma. É preferível jogar na loteria do que virar para trás e esperar ver alguma coisa que valha à pena.
Mulheres e família, nao me olhem assim. É apenas uma constataçao socio-antropológica.
3ª Na porta da casa em que moro, tem um olho-mágico. Entre as 5 e 6 da tarde, o sol fica alinhado diretamente com ele, de maneira que cria uma feixe de luz, similar a um prisma, que divide as cores da luz branca e forma um mini-arco-iris. Mas esse mini-arco-íris só é visível se coloca-se um anteparo. No meu caso, o vi contra a palma da mao. Fui seguindo o feixe, me afastando e usando a mao como anteparo sempre. Porque nao se pode ver os raios de luz, nem uma iluminaçao diferente, olhando para o caminho no ar que faz o feixe. Vi que ele continuava até muito longe, chegando no refeitorio e correndo paralelamente à mesa deste, terminando entre uns canos onde nao se pode ver as cores entre eles.
Aí que me ocorreu a idéia de que se um dia estiver com alguém sentado na mesa do refeitório, entre as 5 e 6 da tarde, posso colocar a mao na posiçao certa e mostrar um arco íris na minha mao de maneira que a pessoa nao vai entender, nem conseguir reproduzir. Posso dizer que tenho esse dom especial, de criar um arco-íris com a minha mao. Que sou mágico. Será que alguém acredita?
Tenho algumas outras mil observaçoes na minha cabeça, claro, mas nao com alguma conclusao ou aplicaçao prática como as demonstradas acima.
Até a próxima!
Beijos e sorrisos,
Soneca
# posted by Rodrigo, o Soneca, Pontes @ 12:37
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Oi, povo,
Passou uma semana sem novidades. Trabalho indo bem. Acostumado com minha dieta sem glúten, sem lactose, sem graça. Ah, finalmente fui numa balada aqui, mas nada demais. Comecei a fazer aula de espanhol também.
Bom, a balada que fui era um misto de barzinho em cima com pista embaixo. Tocava rock argentino e uruguaio e umas coisas do Brasil como Ana Julia, dos Los Hermanos. Uma hora começou a tocar reggaeton, que é o funk carioca deles daqui, mas a galera nem se empolgou. Umas danças estranhas tipo rumbia ou algo assim também tocavam. Mas o ambiente mais legal era o da entrada, que passava uns DVDs bons no telao e dava pra conversar. Bom, conversar em termos. Porque fui com 3 meninas e, obviamente, elas ficavam falando de homem. Incrível, nem conhecia duas delas antes daquela noite e já tinha me tornado "amigo-gay" de todas. Daqueles com a qual se pode falar de homem a vontade na roda, sem se preocupar em deixar de fora. Assim, fiquei viajando. Quando elas me perguntavam se entendia a conversa, dizia que entendia que estavam falando de homens em espanhol e que preferia pensar em mulheres e em português. Depois de algumas indiretas, ou por falta de assunto a respeito dos tais homens, consegui finalmente conversar com elas. Bem legais e me arranjaram um contato bom pras campanhas que estou fazendo aqui no trampo.
Nao, nao peguei ninguem. Mas a balada foi muito boa, o lugar é agradável e a melhor coisa é que foi de graça! Nao paga pra entrar e como nao bebo nada... além de ter ido a pé e voltado de carona.
Sábado passado comecei as minhas aulas de espanhol. Consegui uma professora bem baratinho por um contato da AIESEC. Cobra uns 10 reais por hora, em comparaçao aos 25 que os outros queriam. Ela é uma senhora de uns 50 a 60 anos, professora particular de aluno de colégio. E ao chegar na casa me senti um aluno de colégio mesmo. Ao sentarmos, a primeira coisa que ela falou foi "A frase se começa com maiuscula", e parou, como esperando uma resposta. "?" Fiquei olhando para ela para ver se compreendia bem a pergunta. Percebi que nao era uma pergunta retórica. Ela realmente estava me ensinando que se começa uma frase com letra maiuscula. Pensei "Pronto, vou gastar 10 reais para ela me ensinar o que sao vogais e consoantes e como formar sílabas". Pensei por um segundo que ela podia achar que eu falava chines ou uma dessas linguas que nao usam o mesmo alfabeto ou que eu era analfabeto até no portugues. Assim, na primeira oportunidade que tive disse "Em portugues também é assim". Pronto, acho que agora ela lembraria que eu era brasileiro e sabia escrever.
Mas depois disso a classe rendeu, me explicou o uso do acento e as conjugaçoes verbais. Fora um ou outro elogio que me fazia parecer ter 10 anos e aquele tipo de pergunta que se hesita em responder porque parece pegadinha de tao banal. "´Yo canté´, quién canto?"- "hmmm... Yo?" - "Muy bien!! Que inteligente que es!!!". Escrevi um pequeno texto para ela avaliar meu espanhol e ela me elogiou tanto que por um momento pensei em mim como um novo Miguel de Cervantes. O texto era mais ou menos nesse estilo "Yo soy Rodrigo. Yo trabajo en CEPRODIH. CEPRODIH es una ONG que trabaja con personas en situacion de calle..." e assim ia. Realmente, pela surpresa e empolgaçao dos elogios, ela achava que ia encontrar um completo ignorante.
Mas no fim valeu a pena a aula e fora esses lapsos de achar que sou um aluno burro de quarta série, ela é uma professora muito boa. Já disse que vai me dar textos para escrever diferente dos básicos "Minhas férias" e uma carta. Assim acho que vou sair daqui escrevendo bastante bem também. Enquanto isso vou lendo alguns autores em espanhol e praticando meu sotaque no dia-a-dia.
# posted by Rodrigo, o Soneca, Pontes @ 13:13
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Olá, povo,
Buenas! Deixei esse post para depois do fim-de-semana, por um motivo muito especial. Ontem o dia todo e hoje de manha, participei de um Seminario Internacional. Chique? Mais do que você pensa!
Era um Seminário Internacional sobre Prestaçao de Contas em ONGs. Era algo bem restrito e haviam convidados muito importantes. Lideranças de redes de ONGs de 15 paises, incluindo quase todos da America Latina, Espanha. Mais um especialista em prestaçao de contas ("accountability", no jargao corporativo, para ser mais específico) da Inglaterra, e representantes de Ashoka, Fundaçao AVINA, BID e Governo Uruguaio. Para vocês terem uma idéia, o seminario foi fechado com o pronunciamento da Ministra Uruguaia de Desenvolvimento Social. Como era algo bem restrito, de interesse bem especifico, o seminario era aberto a qualquer um que quisesse a participar, sem custo algum. Com direito a pastinha, papeizinhos e, mais importante, bebidas, comidinhas, café e inclusive um almoço no restaurante do chique hotel onde se realizou a cerimonia. Tudo na faixa.
Mas fora isso, vocês nao têm idéia da oportunidade que foi, para mim, participar desse seminario. Isso mostra como, quando se sabe o que se quer e pra onde ir, o destino conspira ao seu favor. Fora a enormidade de conhecimento que pude absorver sobre temas importantes do terceiro setor, mas que nao convém repassar aqui pois sao temas técnicos e nao questoes de interesse geral, pude fazer um networling incrivel e completamente inesperado. "Networking" (para os que nao sao do meio corporativo que usa palavras chiques em ingles para dizer as coisas mais simples e banais, e assim pensam serem mais importantes) é o recurso de se fazer conexoes pessoais, durante eventos como seminarios, cocktails, palestras e etc. que possam te ajudar, agora ou no futuro, direta ou indiretamente, na sua carreira profissional. Enfim, é um "vamos fazer amigos importantes"! haha Mas sem, necessariamente, ser algo falso ou interesseiro. Sao negocios. Entao, quase ninguem sabe, mas tenho um projeto, muito ambicioso, relacionado a arrecadaçao de recursos para o Terceiro Setor. Sem entrar em detalhes e para terem uma noçao da minha pretensao, a "missao" da minha ideia, digamos assim, é amplificar largamente a cultura de doaçao no Brasil e transformar completamente o modo como sao vistos e avaliados os trabalhos sociais no Brasil. E nesse seminario conversei com o tal especialista ingles, ele nao só gostou muito da ideia, como disse que eu estava na direçao certa das melhores iniciativas na área, além de me incentivar bastante e passar alguns contatos importantes, a nivel mundial, na area. Nao só a sua propria organizaçao de "accountability", como o contato de um dos criadores do maior site de doaçoes da Inglaterra, que arrecada anualmente 30 milhoes de Euros. Além disso, conheci ferramentas e iniciativas ótimas de uma organizaçao argentina, e conversei bastante com a autora dos estudos e da ferramenta. Além de uma lista de sites para tomar como referencia, dicas de boas iniciativas no mundo e bastante material para a liçao de casa.
Essa oportunidade foi unica e se poderia dizer que o acaso fez com que eu estivesse aqui no Urugay, diante da rara oportunidade de ter um contato tao proximo com essas pessoas importantes para expor minhas ideias e conquistar o apoio delas. Mas eu acho que essas oportunidades estao sempre presentes e muitas coisas, sendo poucas delas relacionadas à "sorte", me ajudaram. Estudar ingles por 8 anos, estar consciente dos meus planos e ter passado um bom tempo pesquisando e aprofundando minha ideia, ter tido a iniciativa de entrar para a AIESEC e trabalhar nos lugares onde trabalhei, me deixaram pronto para ter essa "sorte".
No fim das contas um expert de nome internacional disse que minha idéia é muito boa e eu tenho que continuar em frente, para me destacar em um tema de relevancia mundial.
O que eu vou fazer? Vou continuar a trabalhar para mudar o mundo?
Nao, vou começar a trabalhar para revolucionar o mundo.
Soneca
# posted by Rodrigo, o Soneca, Pontes @ 15:37
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Oi, pessoas
Aqui estou eu de novo, já com uma rotina e poucas novidades.
Primeiro as poucas novidades, que na verdade é só uma. Como efeito das minhas enfermidades intestinais de semanas atrás, descobri, depois de uma ida ao médico durante uma recaída, que estou hipersensível a lactose agora. Já tinha intolerância a lactose antes, mas parece que por causa do virus de infecçao intestinal que tive, agora está mais crônico. E a novidade em si, além de tudo, parece que sou levemente alérgico a gluten! A médica sugeriu isso, eu achei que era bobagem, mas depois de uma fatia de pao de gluten, supostamente bom para o sistema digestivo, eu fiquei com a lingua um pouco inchada e tive problemas de estômago, e assim tive que dar o benefício da dúvida à doutora. Assim, resumindo, em termos práticos, nao posso comer: nada de leite: queijo, doce de leite, manteiga, etc. e nada de farinha: pao, bolacha, bolos, etc. É o destino atacando por todos os lados para que eu nao coma mais alfajor.
Agora a rotina. Minha rotina é ler. Acordo, tomo café da manha (com maça, banana e biscoito de arroz com maionese, devido às restriçoes acima), trabalho, volto para casa e leio. Trouxe 6 livros e achei que seria suficiente para os seis meses, afinal meu ritmo de leitura vem lento faz um tempo. Mas hoje, depois de um mês, já li inteiros 3 livros de cerca de 500 páginas, estou na pagina 280 de outro e na 120 de outro. Os livros já lidos sao: os já citados "Como mudar o Mundo" e "Banqueiro dos Pobres", além da coletânea "Contos clássicos Russos". Estou no fim de "Visao 20:21", um livro do editor do The Economist, Bill Emmot, sobre o que podemos aprender do século XX, que deve direcionar como vai ser o século XXI em aspectos globais, políticos e economicos. Presente dado pelo PJ e muito bem aproveitado que me surpreendeu, nao pela relevancia e interesse do tema, mas pela rapidez com que tenho devorado esse livro. E ainda me falta ler os dois outros volumes da coletânea de contos "Contos clássicos Ingleses", que já comecei e "Contos clássicos Norte-americanos", o único livro ainda fechado, dos que trouxe. Porque aqui já comprei outros dois, uma pequena coletanea de contos do escritor argentino Julio Cortázar e uma versao de Agatha Chritise em espanhol, para ir praticando. Essa é minha rotina, um jovem intelectual, recluso, devorador de livros.
Junto a tanta leitura, está me voltando a vontade de escrever. Por isso nao se admirem se eu tiver vindo aqui para aprender mais sobre empreendimentos sociais, mas voltar como um famoso escritor. A nao ser que coloquem uma televisao no meu quarto até lá.
Beijos e sorrisos,
Soneca
# posted by Rodrigo, o Soneca, Pontes @ 15:00
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